O Sátiro: Uma composição de um encontro campestre.
"Quando entre as flores da primavera e o calor das tardes de verão
Tua pele tornar-se a suave relva de corpos vertidos ao chão.
Amarei cada ponto do céu e desta terra, a música dos animais,
Pois Sátiro sou na floresta, das ninfas, cabras e ovelhas: atrás".
- F.V.
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Sim, lá estou eu em espreita, entre os grossos chumaços de folhagem do campo, entre os troncos largos das árvores na floresta, eu a espreito tal se nada mais existisse e a brancura de sua pele turvasse minha visão. Nada mais neste mundo tira-me o foco.
Ah, eu suspiro, ofego e tremo um pouco minhas pernas. Eu suspiro e sua pele exala o cheiro - me apetece um desejo cruel: fome, sede, sangue... esse sangue que devora minhas veias, impetuoso a fazer pulsar em batimentos uniformes o coração. A pele, a pele, a minha pele sua dando um brilho dourado e corado de sol. Lábios que se roçam, dentes que aparecem, fragrância que se espalha.
Tu serás minha, teus gritos serão meus, tuas lágrimas e tua luta em desfavor da própria sorte. Está é minha terra, meu campo, minha colheita! Ah, sim! também teus gemidos, teus prazeres e tua lascívia minha bela Ninfa. Dos cânticos ao vinho, minha flauta vos levará ao extâse de Dionísio. Portanto comerei de tua carne e beberei teu leite, cantarei tua dor.
Mastigue a folha, tenhas curiosidade; forme o louro, tão bela coroada serás com a perca da razão. Pomas que desvanecerão em meus lábios em cada frenética sucção. Minha língua a trespassar pela pelugem, agraciada pela umidade, orvalho em rosa.
"Todas as deusas do mundo tem um só nome e seu nome é Éris".
– Éristiin Thalles Sebek
"Canto à Éris" - FV/HR/JAF/LF
Aquilo que vi era lindo,
Como se nada mais
Em minha visão existisse.
Tua beleza permanecia
De infinito a infinito
Que não era feito
A mim saber se Tu
Morrias ou nascias
Entre os tempos.
Teu hino não é Órfico,
Quem cantá-lo-ia afã?
É Érisico, pelas tuas
Próprias mãos renascido
Tal orvalho da manhã,
Aljofares dos deuses,
Formaram-se donde
Tu passaras com Tuas
Negras madeixas
qu'a noute carregava.
Saúdem os homens a Ti
Saúdem os mortos a Ti
Salve Éris!
"O Nascimento de Vênus"
William-Adolphe Bouguereau
Oil on canvas, 1879. 300 x 218 cm.
Musée d'Orsay, Paris, France
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Vênus venerada
Teus olhos estendiam o azul do mar.
De horizonte a horizonte palia havia
A embuçada e morosa lua refletida.
Tão bela duma morta e branda beleza.
Sim, minha amada Tu és minha!
Teus cabelos pintavam d'escuro o céu.
Talvez doce em mel de perfume o ar.
Talvez feito vel qu'esconde a sina
Negra que fosse de eu aventurar.
Sim, minha amada Tu és minha!
Tuas pérolas argênteas luziam estrelas.
Teus colares, teus anéis, teus brincos
Tal cetim primaveril ao corpo tinha.
Inda mais ao sair do mar feito Vênus.
Sim, minha amada Tu és minha!
A pele tão leve era Tua, A lua mais bela era Tua! Tudo Tu tinhas. Tudo Tu terás. O que mais hei de falar? Alva e tão suave nua. Os instintos mais primevos. Violentos e/ou doces; gentis, serenos e/ou impulsivos e espontâneos. Despertando-os, despertando-os em mim. Tão ascos e desejosos ou necessários. O Amor & a Paixão. Faces de Vênus. Minha deusa mortal.